sexta-feira, 3 de abril de 2020

Coerência entre Pensamento e Ação de DIAMANTINO LOURENÇO RODRIGUES DE BÁRTOLO

COERÊNCIA ENTRE PENSAMENTO E AÇÃO: A coerência entre pensamento e praxis é uma faculdade, provavelmente, específica do ser humano, que poderá ser possível em função de princípios e valores, dos quais não se abdicam numa qualquer circunstância. Levar à prática todos os pensamentos, afigura-se, igualmente, uma tarefa de muito difícil execução. 
O pensamento, por enquanto, não é escrutinável, por instrumentos e técnicas que possam determinar, com rigor absoluto, o que cada ser humano, em cada momento da sua vida, está a pensar, pese, embora, a existência de alegadas “Máquinas da Verdade”, (Polígrafos) e outras que, dando o benefício da dúvida, e/ou a ignorância pessoal, não são autorizadas para fins criminais e outras aplicações de responsabilidade idêntica. 
O que importa refletir, neste trabalho, é: até que ponto se pode aceitar, e/ou exigir, uma praxis fiel a um determinado pensamento? Que coerência é possível entre o que se pensa acerca de uma pessoa, grupo de “amigos” e/ou profissional, uma situação e, paralelamente, no dia-a-dia, agir em conformidade com aquele pensamento? 

Aqui e para já, colocam-se duas situações: 
a) Se se pensa favoravelmente, portanto, pelo lado positivo, pelas boas qualidades que uma pessoa possui, então não haverá dificuldade em se ser coerente com tal pensamento e a praxis é reveladora disso mesmo, não havendo nela nenhuma atitude hipócrita, pelo contrário, manter-se-á, inclusivamente, alegria e prazer em conviver e trabalhar com a pessoa por quem se tem sentimentos e opiniões favoráveis;
b) Numa postura inversa, as dificuldades serão maiores e, mais tarde ou mais cedo, insuperáveis. Com efeito, pensar-se acerca de uma pessoa, grupo ou situação, sobre o que elas são, em termos de princípios e valores e juízos negativos e, simultaneamente, ter uma conduta cínica e falsa, como se tudo estivesse bem, como se na consciência do avaliador tudo fosse positivo, sobre a pessoa com que se convive, social e profissionalmente, revela incoerência e falta de ética moral e profissional, se for o caso. Nestas circunstâncias o que parece correto e digno, é o afastamento, educado, sem que isso implique ou retire os juízos de valor antes formulados 
Evidentemente que no mundo atual, assumir as consequências de um determinado pensamento em relação a pessoas, grupos e situações, pode significar: o fim de uma relação (ainda que desleal e hipócrita); o fim de uma carreira profissional; o fim de um cargo público. A estratégia adotada, como defesa e impenetrabilidade a esse pensamento é não o divulgar em todas as suas vertentes e agir, incoerentemente, transmitindo, assim, à outra parte, a ideia de que se pensa positivamente, acerca dela. É obvio que se está no domínio da hipocrisia. 
A sociedade desenvolve-se pelo princípio da influência, da troca, da oferta e da procura. Adaptar a postura do meio-termo: seja por defeito; seja por excesso, pode garantir, de facto, o equilíbrio da mesma, porém, há valores aos quais não se pode renunciar, sob pena dessa mesma sociedade ruir pelos seus alicerces. Os valores da lealdade, da coragem, da dignidade, da honestidade, da frontalidade, entre outros, são essenciais para o bom equilíbrio entre pessoas, comunidades e o mundo em geral. 
Por isso, a coerência entre o que se pensa e o que se faz é fundamental, até para tranquilizar os espíritos de quem formula princípios e juízos de valor. No campo profissional, tal coerência deve restringir-se à colaboração necessária, com vista aos objetivos a atingir, dos quais, afinal, todos beneficiam e, por outro lado, aumentará a credibilidade e prestígio das instituições. 
O mesmo poderá não acontecer no domínio estrito das relações pessoais e de amizade. Na verdade, como se podem considerar relações pessoais e de amizade, por exemplo, com um colega que é objeto de, no pensamento de outro colega, não haver as melhores referências, obviamente, no sentido positivo? Como reagir a esta situação, se na relação não pode existir verdadeira e sincera amizade? 

Também neste domínio, três alternativas se podem colocar: 
a) Ter a coragem de dizer ao colega tudo o que pensa e escreve acerca dele, iniciando assim um possível conflito, praticamente, insanável, porque escondido, provavelmente, durante algum tempo?
b) Continuar numa atitude traiçoeira, de falsa amizade e relação profissional aparentemente colaboradora?
c) Manter os princípios e juízos de valor no seu próprio pensamento e, paralelamente, proceder a um afastamento digno e paulatino, em ralação ao colega, sobre quem não se tem um pensamento favorável? 
Admite-se que muitas outras podem ser as soluções, perante uma realidade que talvez exista no pensamento de cada pessoa, ainda que o neguem. Pretende-se, aqui, defender a solução que se afigura a mais coerente entre pensamento e ação. Sendo verdade que ninguém é obrigado a revelar os seus próprios pensamentos, também é imperioso que os comportamentos contrários àqueles sejam eliminados. Isto é, se uma pessoa pensa acerca de outra que esta não possui determinadas características/qualidades, que até podem não a abonar ética ou moralmente, então só resta à primeira afastar-se, não a acompanhar ou, no mínimo, tentar não forçar ou evitar situações de convívio. 
Se uma pessoa entende que uma outra, poderá não ser bom colega de trabalho, um amigo fiel, que é capaz de atropelar certos princípios ético-deontológicos, para obter um benefício próprio, em prejuízo de outro colega, então a adequada relação profissional, e pessoal, ficam gravemente prejudicadas, restando, nestas circunstâncias, um certo desligar desse colega. 
Se uma pessoa considera, que uma outra teria uma suposta boa relação de “amizade”, mas que na hora certa não demonstra essa amizade, então a coerência desejada não se verificou e, pelo contrário, o que se conclui é que pensamento e ação, não são convergentes. 
É evidente que nesta reflexão não se pretende defender quaisquer comportamentos moralistas, até porque, isso sim, também se entraria no domínio da incoerência, justamente pelos aspetos já referidos, que resultam da sociedade em que se vive. Deseja-se, certamente, um esforço cada vez maior no sentido de, paulatinamente, se reduzirem atitudes cínicas e falsas, que afetam a boa-consciência da pessoa que, pensando de uma maneira, procede de outra. 
A coerência está, portanto, entre o que se pensa acerca de uma pessoa, grupo ou situação, e se procede de acordo com tal pensamento. Se não se gosta da pessoa, não tem que a bajular, que a acompanhar com relativa frequência e, muito menos, manter uma, ainda que aparente, relação de amizade pessoal, social, política ou mesmo profissional muito intensa, (claro que a relação profissional apenas buscará a colaboração, a troca de opiniões, tendo em vista atingir objetivos e melhoria de condições de trabalho e benefícios para todos). 
A coerência não será compatível com um pensamento negativo acerca de outra pessoa, seja pronunciado, escrito ou caricaturado e, simultaneamente, aceitar quaisquer favores, companhias e influências, quando na consciência daquele que formula os princípios e valores negativos, sabe que não deve pactuar com tais situações que, nitidamente, configuram um comportamento de deslealdade, dissimulação e cinismo. Também neste particular, a verdadeira dignidade está em não se permitir qualquer tipo de relacionamento mais próximo, exceto o profissional, embora este com as devidas reservas, salvaguardando, sempre, como já foi referido, objetivos previamente estabelecidos. 
A ideia com que se poderá ficar, salvo outras melhores e doutas opiniões, é que, quem, de alguma forma, se pronuncia, desfavoravelmente acerca de outra pessoa, deverá agir em conformidade com o seu pensamento, porque só assim se poderá, aos seus próprios olhos e consciência, tornar-se digna e credível. 
É impossível para a pessoa que formula princípios e juízos de valor, negativos, acerca de outra pessoa, conviver com esta, como se nada se estivesse ou esteja a acontecer. Então, a praxis coerente, digna e justa é, precisamente, evitar o mais possível, a pessoa avaliada negativamente, de contrário a deslealdade, a impostura e o impudor passam a valores predominantes e, qualquer dia, até os que se consideravam amigos, podem começar a suspeitar de tal amizade. 
Ainda assim, não sendo ninguém obrigado a divulgar o seu pensamento, vai persistir a questão do porquê de um afastamento. No limite, ou se informa a pessoa que nela haverá aspetos/qualidades que a denigrem, com os quais não se concorda, ou terá de se proceder ao silêncio, sem mais quaisquer informações, e às atitudes que possam conduzir a um afastamento parcial e paulatino. 
Agora, fazer de conta que nada existe, que nada de negativo se pensa, acerca da pessoa em questão e que com ela se convive cinicamente, isso é que parece difícil de executar. No limite, e para se evitar ambientes profissionais prejudiciais aos objetivos pretendidos, é necessário algum relacionamento, assumindo-se, perante o Tribunal da própria Consciência, que se está a optar pelo mal menor. Claro que cada um responde por si e decide como melhor entender. 

BIBLIOGRAFIA: CHODRON, Pema, (2007). Quando Tudo se Desfaz. Palavras de coragem para tempos difíceis. Trad. Maria Augusta Júdice. Porto: ASA editores. 

Venade/Caminha – Portugal, 2020 
Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

DIAMANTINO LOURENÇO RODRIGUES DE BÁRTOLO
02º Membro Correspondente AIL. Brasil/Portugal.
Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
http://nalap.org/
http://nalap.org/Directoria.aspx

TÍTULO NOBILIÁRQUICO DE COMENDADOR, condecorado com a “GRANDE CRUZ DA ORDEM INTERNACIONAL DO MÉRITO DO DESCOBRIDOR DO BRASIL, Pedro Álvares Cabral” pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística http://www.minhodigital.com/news/titulo-nobiliarquico-de 

COMENDADOR das Ciências da Educação, Letras, Cultura e Meio Ambiente Newsmaker – Brasil. (2017) http://directoriomundial.allimo.org/Rodrigues-de-B%C3%A1rtolo-Diamantino-Louren%C3%A7o/ 

DOCTOR HONORIS CAUSA EN LITERATURA” pela Academia Latinoamericana de Literatura Moderna y la Sociedad Académica de Historiadores Latinoamericanos. https://www.facebook.com/diamantino.bartolo.1/posts/1229599530539123 

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