sábado, 23 de maio de 2020

ANDREW por MARVYN CASTILHO BRAVO


– ANDREW – (Ao meu estimado rebento, Andrew)

É ledo a sua companhia,
No dia gris do atro cismar,
Ou no ensejo inumado na melancolia,
Donde n’alma a dolência vem abarcar.

Quando uma álgida lágrima,
No langue cenho flanar,
No epílogo da feral desdita,
No alento da morte meu ser silenciar...

Sua face pueril vou rememorar,
No alvitre do seu sorrir, vogar,
Pelo Dédalo da sua álacre lembrança, meu ser segredar.

Destarte, na lisura do seu onírico amor,
No edênico torpor...
Meu andrajo carnal gélido vai deitar.


MARVYN CASTILHO BRAVO
Cadeira n.67. LÚGUBRE.

Em I de agosto de MMXVIII. E. V.
Dies Mercurii

segunda-feira, 4 de maio de 2020

A CORTINA QUE TRAZ A ESCURIDÃO por LEANDRO EMANUEL PEREIRA

Enquanto seres humanos, podemos ter a ilusão de sermos matéria transcendente. A nossa soberba, vai ao ponto de classificarmos o mais recente período do planeta como Antropoceno. Desde sempre apresentamos uma fiel característica. Onde mora a vontade do homo sapiens sapiens, subjuga-se a vontade da fauna e da flora. Está claro que a seu tempo, a natureza impõe a sua medida…

– A CORTINA QUE TRAZ A ESCURIDÃO –

Pela frincha do desconhecido;
Sobressalta o intruso;
Para o terror vocacionado;
Escalpela tanto o refinado como o obtuso...

A cortina que traz a escuridão;
Vem com mentira e perfidez;
Quem produz maldição;
Vende a própria panaceia com avidez...

Então a civilização encurta a sua esperança;
Por ver a sua liberdade reduzida;
Quando escravos já eram por herança;
De um capitalismo de moral falida...

Não sei se somos;
O inferno de outra dimensão;
Critérios temos;
E não nos falta vocação...

Enquanto a força nos permite;
Praguejar em nome da impotência;
Criamos soluções dignas de quem resiste;
O vamos ficar bem é uma incumbência...

Existe porém um paradoxo a dirimir;
A fratura entre a vitalidade;
De um planeta que se faz sentir;
E uma vilipendiosa humanidade...

O equilíbrio sempre foi de difícil intento;
Embora a sorte proteja os audazes;
Mas escudarmo-nos com este argumento;
Não nos torna mais capazes...

Com o progresso;
Foi-se a solidão;
Acabou-se o sossego;
Ganhou força a desunião...

Os afetos deram vez aos computadores;
País e filhos passaram a não falar;
Tantos dissabores;
Que teimam em proliferar...

O intelecto que nos diferencia;
Dos outros animais;
Traz consigo responsabilidade e ousadia;
Sem os quais, os desígnios são fatais...

Fomos mentores de complexos conceitos;
A economia, o dinheiro ou a moral;
Um cardápio cheio de defeitos;
Que não garantiu equidade cabal...

Pois, a natureza é sapiente;
Não suscetível a pressões;
A sua curadoria magnificente;
Impõe tempestades, consubstanciadas em grilhões...

LEANDRO EMANUEL PEREIRA.
03º Membro Correspondente AIL. Brasil/Portugal.

MÃE. GARANTIA DO AMOR INQUEBRANTÁVEL de DIAMANTINO LOURENÇO RODRIGUES DE BÁRTOLO

MÃE. GARANTIA DO AMOR INQUEBRANTÁVEL: Não é nada fácil ser Mãe, ainda que a análise parta de um homem, na medida em que ao longo da história da humanidade, a Mãe tem arcado com as maiores responsabilidades na família e na sociedade porque: em primeira instância, é ela que prepara homens e mulheres para o mundo; é ela que ensina as primeiras palavras, as boas-maneiras, os bons hábitos.
Quem não se sente honrado, feliz e abençoado por ter a Mãe presente, sempre do seu lado, nas alegrias e nas tristezas, nos sucessos e nos fracassos, na saúde e na doença? Quantas pessoas em geral, e quantos filhos, em particular, suspiram pela sua Mãe, ou porque ela faleceu, ou porque teve de abandonar o lar, por razões que nem sempre serão da sua exclusiva responsabilidade? A Mãe, em toda a sua plenitude, é indispensável.
Quantas vezes ao longo da vida recorremos à nossa Mãe: para nos ajudar, material e/ou espiritualmente; quantas vezes ela nos negou a sua ajuda? Quantas vezes nós nos interrogamos, profundamente ansiosos: Mãe, onde estás? Ajuda-me! Não me abandones, Mãe!
É muito difícil refletir-se e escrever-se sobre a Mãe, em geral; e sobre a nossa Mãe, em particular, sem que os sentimentos de amor, de saudade ou até de arrependimento, pelo que de errado tenhamos feito, contra a nossa Mãe, nos chamem à razão, nos alertem para a riqueza que temos, ou perdemos, ou ainda que maltratamos.
De facto, ter Mãe é a maior riqueza que se pode obter neste mundo, e quando a nossa Mãe se nos revela com todo o seu amor, sem limites, nem julgamentos e condenações prévios, nem exigências de nenhuma natureza e que, simultaneamente, nos defende, nos elogia, nos projeta para a vida e para a sociedade, então consideremo-nos as pessoas mais felizes e mais ricas do mundo, porque é impossível uma felicidade maior do que termos a nossa Mãe.
Reconhecendo-se como insubstituível as funções de Mãe, numa sociedade civilizada, defensora e praticante dos mais elementares valores do amor, da dignidade e da felicidade, é tempo de se engrandecer a Mulher, nesta sua dimensão ímpar, concedendo-lhe as condições necessárias para que ela tenha um papel mais ativo e decisivo na formação das mulheres e dos homens que, num futuro próximo, nos vão governar, porque cada vez mais se faz sentir a necessidade de uma sociedade mais humana, mas justa e fraterna.
As Mães de todo o mundo transportam nos seus ventres e lançam para a luz do dia crianças que carecem, não só enquanto tais, mas durante toda a vida, dos valores e sentimentos que suas mães lhes podem e, certamente, transmitem. Nota-se muito bem uma criança que está sob a proteção e amor de sua mãe, daquela que não tem ou nunca teve essa bênção divina.
Como é triste ouvir os choros lancinantes de uma criança, ou até de um adulto, a chamar pela sua Mãe, a pedir-lhe socorro, a pedir-lhe comida, agasalho, proteção e amor. Como estas situações penetram bem fundo na consciência de quem sabe o que é ter uma Mãe, o sorriso carinhoso da Mulher que primeiro se ama na vida, a doçura de um beijinho, a suavidade de uma carícia terna e meiga e, também de uma “palmadinha” para nos chamar a atenção das nossas traquinices.
Como é bom ter a Mãe do nosso lado, sem condições, nem exigências, e sempre junto de nós, qual baluarte de defesa das nossas fragilidades! Com é imenso o amor de Mãe que pelos seus filhos é capaz de vencer tudo e todos. Como é essencial o acompanhamento de uma Mãe, ao longo das nossas vidas. Como o mundo seria melhor se nós ouvíssemos os sábios conselhos das nossas mães, os valores e sentimentos que elas nos transmitem.
E como será bom para uma Mãe receber dos seus filhos o respeito, a admiração, o amor incondicional. E, quando necessário, tal Mãe poder contar com o filho, igualmente, do seu lado e com ele resolver os problemas da vida. Como será gratificante para uma Mãe saber que o seu filho lhe proporcionará as melhores condições de vida, que a visitará frequentemente, ou que a terá junto de si, se a vida lhe permitir porque, em quaisquer situações, a Mãe saberá sempre compreender o filho e enquanto puder, mesmo na velhice, mesmo privando-se de bens essenciais à sua vida e saúde ela, essa Mãe extremosa e amorosa, continuará a velar pela felicidade do seu filho e, quantas vezes, dos netos.
Seria muito significativo e revelaria boa formação e sentimentos nobres, toda aquela pessoa que, sendo detentora de um qualquer poder, especialmente os líderes: políticos, legislativos e executivos, bem como de todas as atividades, se adotassem medidas justas, humanas e adequadas à proteção das famílias em geral, e das Mães em particular.
 Afinal foram, continuam a ser elas, as nossas Mães, que nos ajudaram a chegar até onde estamos, a elas devemos muito dos nossos sucessos, do nosso conforto e felicidade. Sem as nossas Mães do nosso lado, sem o seu amor, carinho, tolerância e auxílio, provavelmente, não passaríamos de vulgares criaturas, sem valores, sentimentos e, eventualmente, sem rumo na vida.
Por tudo isto, e não é nada pouco, governantes, que também são filhos, protegei as vossas Mães, as nossas Mães, defendei as Mães de todo o mundo, porque sem elas, seríamos incompletos. Amemos as nossas Mães, respeitemo-las através do Amor, da Doação, da Ética, da Gratidão, da Lealdade e da Honestidade. É o mínimo dos mínimos que por elas podemos fazer.
Mãe Querida, onde quer que estejas, um beijo, com imenso amor, do teu filho. A todas as Mães do mundo, em geral e, particularmente, às Mães Brasileiras, deixo aqui uma palavra de amizade, também de admiração profunda, pela forma como elas enfrentam a vida, quais GUERREIRAS, numa guerra sem fim. Um Beijinho com muito carinho e respeito, para todas vós.

Venade/Caminha – Portugal, 2020 
Com o protesto da minha perene GRATIDÃO

DIAMANTINO LOURENÇO RODRIGUES DE BÁRTOLO
02º Membro Correspondente AIL. Brasil/Portugal.