terça-feira, 9 de junho de 2020

QUEM ME DERA SABER por Leandro Emanuel Pereira


Nascemos e o nosso percurso enquanto seres sociais, está concomitantemente ligado às influências que temos, seja no que concerne às esferas familiar, escolar e profissional. O contexto socioeconómico tem especial relevância em sociedades capitalistas, algo que foi adensado sobretudo a partir da primeira revolução industrial. Apesar de tudo, podemos verificar mesmo em situações vaticinadas ao fracasso, onde seres humanos que nascem em famílias carenciadas, do ponto de vista financeiro e educacional, conseguem de forma inexoravelmente resiliente, catalisar a sua força através do sofrimento, não cedendo ao caminho mais fácil e talvez natural, como o da indigência ou do crime, tornando as suas vidas valerem a pena. O inverso também acontece com frequência, onde pessoas nascidas sem carências de índole material, embora com carências de outra natureza, provavelmente afetiva, e eventualmente por lhes ser negada a possibilidade do tédio, caem no marasmo. Esta é a complexidade do ser humano. Como postulou um dia Jean Paul Sartre, "Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim".

– QUEM ME DERA SABER –

Quem me dera saber;
Quem eu era;
Antes de me conhecer;
Se mera fuligem, ou vitalidade que aglomera...

A existência precede a essência;
Responsável serei então;
Pela minha veemência;
Sorte e prontidão...

A vida é uma caravela;
Num imprevisível oceano;
Só quem estiver de sentinela;
Poderá vislumbrar um caminho...

Nunca fantoches do acaso;
Jamais vítimas das vicissitudes;
A personificar um pleonasmo;
Que seja a profusão das virtudes...


LEANDRO EMANUEL PEREIRA.
03º Membro Correspondente AIL. Brasil/Portugal.

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